Fique10


MITOS E VERDADES DA VACINA CONTRA A GRIPE H1N1 by editorfique10
junho 10, 2010, 8:35 am
Filed under: saúde | Tags: , , , ,

Basta o inverno se aproximar e as preocupações com a gripe H1N1, popularmente conhecida como gripe suína, estão de volta. A vacinação contra o vírus, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), teve seu início no dia 8 de março e se estenderá até 21 de maio. Tendo em vista essa campanha, o Ministério da Saúde adquiriu 113 milhões de doses para vacinar 91 milhões de pessoas, sendo que a meta é imunizar pelo menos 80% da população. Por isso, é importante manter-se esclarecido sobre o assunto para aprender a identificar os estados gripais e sintomas deste vírus, assim como desvendar os mitos e controlar o medo que a doença vem provocando. Para esclarecer essas dúvidas, consultamos a infectologista Raquel Muarrek Garcia, do Hospital Leforte (SP), do Grupo Saúde Bandeirantes. Confira:

“Os sintomas da gripe H1N1 são semelhantes aos do resfriado”.

MITO. Em primeiro lugar, gripe é diferente de resfriado. A gripe é mais forte, geralmente infecta as vias aéreas (garganta, pulmões e nariz) e dura mais tempo. Sabe aquela sensação de que um caminhão passou pelo corpo? É o que caracteriza os sintomas da gripe que consistem em febre alta, indisposição, dor de cabeça, calafrios, coriza, fadiga, mal estar e até náusea, diarréia e vômito. É preciso ficar atento, porque a influenza A apresenta esses mesmos sintomas, porém com maior intensidade.

“Depois de adquirido uma vez o H1N1 a pessoa fica imune ao vírus”.

VERDADE. Uma vez infectada pela gripe suína, a pessoa fica imune ao vírus, não sendo contaminada mais uma vez, a não ser que o mesmo passe por mutações, gerando uma segunda onda de contágio.

“Quem teve a gripe pandêmica e teve confirmação laboratorial deve tomar a vacina.”
VERDADE. Quando uma pessoa é infectada pelo vírus influenza A, adquire imunidade para aquele subtipo específico de vírus que a infectou. Assim, quem já teve a gripe pandêmica comprovadamente (com diagnóstico laboratorial positivo), em princípio, está imune, embora haja registro de alguns casos que desenvolveram uma segunda infecção. A duração da imunidade pode variar de pessoa para pessoa, mas no caso desse vírus sofrer mutação, um novo contágio poderá ocorrer.  Se a pessoa pertencer a um dos grupos prioritários, deve ser vacinada, pois a maioria das pessoas que teve gripe nesse período não teve comprovação laboratorial.

“Comer carne de porco ou derivados também pode ser uma forma de contágio da gripe H1N1, por isso deve-se evitar esse tipo de alimento em época de surto do vírus”.

MITO. Apesar da doença começar o seu ciclo de vida no porco, o contagio se dá da mesma forma que uma gripe comum, ou seja, através de secreções respiratórias, como gotículas de saliva ao falar, espirrar ou tossir. Portanto, não há perigo em comer carne de porco e nem seus derivados. “Para a sua segurança, algumas medidas preventivas podem ser adotadas: evitar o contato íntimo com pessoas que apresentem sintomas como febre, tosse e coriza; manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes; dormir no mínimo 8 horas por dia; realizar atividades físicas; e lavar as mãos com frequência”, afirma Raquel.

“A gripe causada pelo vírus H1N1 tem maior incidência no inverno”.

VERDADE, embora os casos de gripe suína possam ocorrer em qualquer época do ano. As baixas temperaturas e o clima seco podem ser fatores determinantes para elevar o número de pessoas contaminadas com o vírus da gripe H1N1. Sem contar que no outono-inverno as pessoas costumam a se aglomerar mais. “A umidade da época ainda permite que o vírus se mantenha em suspensão no ar, resistindo por mais tempo no ambiente”, diz a infectologista.

“Pessoas obesas correm maior risco ao contrair o vírus H1N1”.

VERDADE. O excesso de peso na região do abdome comprime o pulmão, agrava a doença e as condições de risco. Porém, não são apenas os obesos que estão neste grupo de risco; em pesquisa realizada na Califórnia constatou-se que 2/3 das pessoas que adquiriram o vírus tinham doenças crônicas, como diabetes, asma, imunodeficiência, problema cardíaco e obstrução pulmonar.

“Não existem medicamentos disponíveis para tratar a gripe H1N1”.

MITO. Existem medicamentos, no Brasil, como o Tamiflu (Oseltamivir) e o Zanamivir (para resistência), que já entraram no protocolo de manejo clínico de síndrome respiratória aguda grave instituído, o  que é eficaz para o tratamento da doença, diminuindo seu quadro infeccioso.

“Uma das formas de prevenção contra a gripe suína é a vacinação, que pode ser feita em qualquer pessoa”.

VERDADE. Qualquer pessoa a partir dos 6 meses de idade não só pode, como deve se vacinar contra o vírus. Porém, a dosagem varia de acordo com a idade. No caso de crianças de 6 meses a 9 anos, recomenda-se para a proteção contra o H1N1 duas doses com o intervalo de pelo menos 3 semanas. Gestantes têm mais propensão a adquirir o vírus, portanto, também devem se vacinar em qualquer idade gestacional e até o final da campanha.

“O mercúrio ou timerosal, presente nas vacinas, pode causar problemas graves”.

MITO. A quantidade de mercúrio presente na dose é muito pequena – 25 microgramas por dose de 0,5ml – e é usada para evitar crescimento de fungos ou bactérias, no caso de a vacina ser contaminada acidentalmente. O mercúrio, inclusive, é utilizado para impedir o crescimento de micróbios também em outras vacinas, como na Tetravalente indicada contra Difteria, Coqueluche, Meningite e Tétano e na Tríplice Viral, vacina contra Caxumba, Sarampo e Rubéola. “É importante ressaltar que o mercúrio é eliminado pelo organismo rapidamente, de maneira que não há acumulo em função de repetidas injeções que o contenha. Portanto, as vacinas com esse tipo de substância não aumentam a quantidade de mercúrio no organismo”, complementa Raquel.

“A pessoa que tomar a vacina fica imunizada contra o vírus H1N1 para sempre”.

MITO. Segundo o Ministério da Saúde, a duração da imunidade varia de pessoa para pessoa. Além disso, a imunidade depende da força do vírus, da sua capacidade de sofrer mutação e se uma nova onda de casos ocorrer. Em algum desses casos, faz-se necessária outra imunização (no ano seguinte, por exemplo), com vacina produzida para combater a nova versão do vírus da gripe H1N1.

“A vacina produz efeitos colaterais extremamente fortes”.

MITO. São raros os casos em que a pessoa apresenta algum efeito colateral. Quando há esse tipo de manifestação, que não perdura por mais de 48 horas, é possível que a pessoa sinta dor no local da aplicação, febre baixa e dor muscular. “Só precisam ter cautela e evitar a vacina pessoas que têm alergia a ovo, já que ele é usado no processo de fabricação do produto”, finaliza a infectologista do Hospital Leforte, localizado no bairro do Morumbi, na capital paulista.

Anúncios